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segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

As 6 Lições da Inovação

A inovação é intrigante e encantadora. Não importa se você é um gestor em uma grande empresa ou um empreendedor engajado com uma startup. Quem não gostaria de conhecer a fórmula mágica? Muito dinheiro, tempo, energia e sonhos têm sido investidos para se conseguir um sonoro eureka.

No livro "Os Inovadores", Walter Isaacson apresenta com grande profundidade os detalhes históricos da revolução digital. Seus protagonistas mudaram nossas vidas com os computadores e a Internet. É impossível comentar o livro num único post, por isso voltarei a ele nos próximos. A obra vale uma leitura atenta, na íntegra. Mesmo assim, me inspirei a definir as 06 principais lições sobre inovação. Para os mais exigentes, o último capitulo do livro faz um resumo mais completo:


1. Trabalho em equipe e colaboração são a norma. Esqueça o gênio criativo que tem a ideia e realiza tudo sozinho. Destaque especial para as parcerias de sucesso - Jobs e Wozniak, Gates e Allen, Page e Brin. Uma única  personalidade é incapaz de dar conta de todo o processo de inovação. Lição: crie indicadores específicos e valorize o resultado obtido em grupo, em detrimento das obras de "artistas solitários". O trabalho em equipe exige prática. Não espere que a colaboração surja imediatamente. Incentive e ajude para que as primeiras trocas aconteçam e floresçam.

2. Tenha visão fractal. A liderança que cria e sustenta a inovação é a capaz de conviver com um certo grau de caos e incerteza, promovendo uma postura de co-criação interdisciplinar. A ciência pura, a engenharia, as ciências humanas e as artes estiveram na base de tudo que foi mais genial na revolução digital. Lição: desenvolva fóruns, espaços e momentos em que a equipe possa brincar com idéias e metáforas. Apoie a discordância saudável e evite os extremos maniqueístas do certo - errado.

3. Produza no mundo real. A ideia brilhante pode demorar anos para se tornar realidade. Nem sempre o ambiente ou os recursos necessários estão disponíveis. Realizar o possível, sem perder de vista o sonho, lança as bases para que o próximo passo seja dado. O Altair 8800, primeiro computador pessoal a ser comercializado, nem de longe se parecia com o que conhecemos hoje como computador. Lição: faça algo com a ideia, mesmo que não seja de forma perfeita. Nao tente dar todos os passos de uma só vez. Um dos livros mais populares entre os empreendedores - "A Startup Enxuta", de Eric Ries - descreve em detalhes o conceito do MVP (Minimum Viable Product - Produto Viável Mínimo), que pode ajudar bastante a assumir está postura.

4. Ouça os diferentes. Ada Lovelace (1815-1852) foi a pioneira daquilo que viria a ser conhecido como computação. Apesar disso, a participação feminina nessa história foi dificultada pelo preconceito machista. As mulheres encontraram seu caminho na revolução digital como precursoras do desenvolvimento dos softwares, basicamente porque essa atividade estava associada à datilografia  (digitação), tarefa menor, relegada às mulheres. Lição: reforçando o ponto 3 acima, esforce-se para ter uma equipe bem diversa, em todos os sentidos. A psicologia, por exemplo, teve mais importância na história da revolução digital do que se imagina.

5. Teste suas ideias com muitos públicos. Nem sempre quem inventa vê a importância e a aplicação de sua criação. Muitas descobertas foram tratadas com desdém, graças à visão curta do status quo e resistência da burocracia organizacional. O mouse, a interface gráfica, o software como produto e a própria ideia do computador pessoal foram tratadas com desdém nas organizações em que surgiram. Foi a visão de fora, e com um outro background, que enxergou o brilho das pedras brutas. Lição: Não abandone as ideias sem antes escutar e ver a reação que ela provoca em pessoas diferentes.

6. Dinheiro, pesquisa e mercado. A iniciativa privada, a universidade e o governo formaram o triunvirato da revolução digital. É uma mesa com três pés. Se um não estivesse lá a coisa não se sustentaria e talvez não estivéssemos lendo essa página on line hoje.  O dinheiro público, a pesquisa e o espírito empreendedor foram excelentes parceiros. Lição: algumas idéias precisarão mais de estudo, outras de investimento e algumas de uma abordagem mais vendedora para que atinjam seu máximo potencial.

Você tem ao seu redor gente boa nas três?

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domingo, 24 de maio de 2009

Indicadores de RH não são um fim em si mesmos

Interesse versus Eficácia

O interesse pelo assunto Indicadores em RH tem crescido muito nos últimos tempos. Enquanto o interesse cresce, aumenta a minha impressao de que estamos caminhando para o lado errado.Indicadores servem para que? A resposta óbvia é 'para medir', certo? Errado. Indicadores servem para ajudar na tomada de decisões, para servir de balisa da gestäo. É exatamente aqui que acredito estarmos perdendo o rumo.

É certo que nossa área (entenda-se RH) nao tem tradição na coisa dos números, especialmente nos assuntos relacionados a desenvolvimento. E também dá para entender que o povo ande preocupado, tentando provar que, sim, damos resultados. Porém, mais importante que isso, é demonstrarmos que sabemos para que tudo isso existe, dentro da lógica empresarial.

A lógica das medidas em gestão

Qualquer medida só tem sentido quando inserida num contexto e com uma finalidade. Mudando a finalidade muda a medida e as ações para alcançá-la.

Vou dar um exemplo, muito comum na minha experiência como consultor. Sou constantemente procurado para elaborar projetos de desenvolvimento de líderes. Quando disparo a pergunta 'para que vocês estäo pensando nisso?' a resposta é muito 'profunda': 'por que sim, oras!' Quando muito, consigo arrancar algumas vagas idéias e percepçôes do que se está buscando ali. Este é o ponto: sem um problema real para resolver não é possível buscar soluções e, consequentemente, medidas. Como já dizia Sêneca, 'näo existe vento a favor quando näo se sabe para onde vai'.

Indicadores devem ser definidos à partir de uma análise minuciosa dos desafios de gestäo de pessoas, previstos e demandados pela elaboraçäo estratégica e tática da organizacäo. Com uma noção clara dos objetivos, fica fácil escolher e medir resultados. No exemplo de um projeto de desenvolvimento de líderes, garantir que pelo menos 50% da necessidade de novos líderes seja suprida por aproveitamento interno, nos proximos 3 anos, é uma razão mais que justa para o investimento, caso a empresa esteja planejando uma rápida expansão e receie perder suas característica culturais de sucesso trazendo líderes do mercado.

De outra forma, igualmente válida seria a meta de reduzir o turn-over em 30% em um prazo de 1 ano, caso uma empresa de tecnologia tenha percebido estar perdendo seus melhores técnicos para a concorrência, drenando seu valioso capital intelectual, porque seus líderes atuais não têm sido hábeis para liderar a exigente geração Y.

Como começar a construir um bom painel de indicadores

Para aqueles interessados em desenvolver um painel de indicadores para sua gestão de RH, aqui vai um passo-a-passo para enfrentar o desfio sem medo:

  1. Avalie com o mais alto nível de liderança a que tiver acesso na empresa quais são os desafios de curto, médio e longo prazos em que o elemento 'gestão de pessoas' está envolvido;
  2. Discuta e identifique os resultados concretos que devem ser alcançados para viabilizar e apoiar os projetos e metas da organização;
  3. Defina, com a ajuda e participação ativa dos gestores, qual a melhor fórmula para medir o avanço em direçäo aos objetivos identificados;
  4. Só então debruce-se sobre os planos de ação (leia-se questôes técnicas de RH), que irão produzir os resultados pretendidos. Estes projetos também merecerão seus próprios indicadores, compondo um painel de causa e efeito;
  5. Valide o plano com a alta administração. Reveja e reconsidere seu plano quantas vezes for necessário até que estejam de acordo.
Indicadores não são simplesmente fórmulas e números. São o GPS de uma boa gestão. Eles indicarão o caminho a seguir e os ajustes de rota necessários, desde que você tenha em mãos o mapa correto da sua viagem.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

All We Need is Peering - Resenha - Wikinomics

Wikinomics (Don Tapscott & Anthony D.Williams - Ed.Nova Fronteira - 2007) é um daqueles livros que fazem viajar. No caso, seria surfar, já que o assunto diz respeito à net. São tantas as referências de sites que dá vontade de sair visitando e participando de todos eles. Também desafia a rever nossa maneira de encarar inovação, geração de conhecimento e gestão de equipes.Escrito em uma linguagem jornalística, rápida, repassa os conceitos da nova web (ou web 2.0), em especial o fenômeno da colaboração em massa (ou mundo wiki - rápido em havaiano) e práticas que estão revolucionando nossas vidas.
Com histórias e citações que vão além dos conhecidos Wikipedia e Linux, nos leva ao mundo da colaboração em massa - peering production ou peering - onde "milhares de pessoas e empresas colaboram de forma aberta para impulsionar a inovação e o crescimento em seus ramos". Tudo isso graças às novas infra-estruturas colaborativas de baixo custo - telefonia via internet, softwares de código aberto e plataformas globais de terceirização. Mas não para por aí: a simples disposição para compartilhar um mercado onde todos ganham (como no caso das fábricas de motocicletas chinesas, que definiram padrões intercambiáveis, similares softwares de código aberto, e criaram um enorme mercado de baixo custo de produção), faz toda a diferença.O mundo dos blogs, wikis, fóruns e códigos abertos se misturam para nos mostrar que um novo pensamento está surgindo –“wikinomics” do título - e que aqueles que não se adaptarem vão perder não só dinheiro, mas também competitividade. Baseado em quatro princípios - Abertura, Peering, Compartilhamento e Ação global - a wikinomics está abrindo novas portas para economizar, inovar, vender, gerenciar recursos humanos, fidelizar e relacionar-se com clientes. Ela abre novas oportunidades também para que qualquer pessoa com um celular, handheld ou computador na mão possa contribuir para uma causa que lhe pareça justa ou uma atividade que lhe divirta ou preencha. Em dez capítulos, os autores nos dão fortes argumentos para entrar nesta onda:

1. O primeiro capítulo serve como uma grande introdução, um “resumão”, à arte e à ciência do peering;

2 e 3. "A Tempestade Perfeita" e "Os Pioneiros do Peering" apresentam os atores e personagens principais da história, "demonstrando que milhares de voluntários podem criar projetos rápidos, fluídos e inovadores que superam os das grandes empresas";

4. As "Ideágoras", onde o "mercado emergente de idéias, invenções e mentes singularmente qualificadas" são negociados e se tornam bolsões de talentos inclusive para grandes empresas como a P&G;

5. Os "Prosumers", ou consumidores-produtores, não se contentam em comprar, eles querem participar do desenvolvimento, adaptando os produtos e serviços às suas necessidades. E algumas empresas, como a Lego, estão aceitando suas sugestões e ficando melhores e mais atraentes;

6. Em "Os Novos Alexandrinos" descobrimos que o compartilhamento também pode beneficiar a cidadania, o bem-estar social e o desenvolvimento da ciência, como no Projeto Genoma;

7. Em "Plataformas para Participação", mostra como pessoas, apoiadas pela tecnologia, podem resgatar bairros e ajudar as políticas públicas;

8. No "Chão de Fábrica Global" ficamos sabendo que mesmo o mundo das fábricas pode entrar no wikinomics, "projetando e construindo bens físicos" em ecossistemas planetários. E isso se aplica inclusive a aviões da Boeing;

9. Para mim um dos capítulos mais interessantes, "O Local de Trabalho Wiki" demonstra como precisaremos rever nossos paradigmas sobre hierarquia, liderança organização do trabalho, meritocracia e trabalho em equipe se quisermos trabalhar de forma wiki. Principalmente para aqueles que querem compreender e conviver melhor com a ascendente geração Y, este capítulo é imperdível!

10. "Mentes Colaborativas" resume e fecha o livro, reiterando por que devemos "pensar diferente" e mergulhar fundo no mundo wiki. As dicas para a ação são particularmente ilustrativas.

Vai aqui uma sugestão: leia primeiro os capítulos 1 e 10, que são um bom resumo de tudo. Só depois escolha a ordem de leitura dos capítulos, pelos assuntos que mais lhe interessam. Os capítulos, escritos na forma de grandes artigos, permitem fazê-lo sem que se perca a linha de raciocínio.

Como dizem os autores no sub-título do capítulo 9, é hora de desencadear "o poder do nós". All we need is peering!

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

A propósito de chefes, líderes e visionários

A notícia do afastamento de Steve Jobs da direção da Apple ocupou os noticiários e preocupou os fãs da maçã. Os acionistas também devem estar de cabelos em pé. É um drama organizacional e uma ameaça àquilo que aprendemos a chamar de inovação de verdade. Talvez até mais triste é ver uma pessoa definhar, consumido por uma doença misteriosa.
Seriam motivos suficientes para deixarmos o assunto de lado, em respeito ao sofrimento e para não provocar mais nervosismo entre os órfãos do Steve. Mas me ocorreu um desejo irrefreável de aproveitar a oportunidade e aprofundar alguns aspectos da liderança deste personagem interessantíssimo.
As pessoas que, como eu, ganham a vida discutindo, ensinando e promovendo a questão da liderança, devem ter estranhado as informações que têm sido publicadas sobre o estilo de liderar de Steve Jobs (vou chamá-lo aqui carinhosamente de de SJ). A maneira estranha e agressiva de gerenciar sua empresa nunca foi novidade, tendo sido inclusive explorada no cinema (assista o filme Piratas da Informática como exemplo). Algumas notícias, porém, dão conta de uma pessoa tirana, egocêntrica, que se apropria de idéias de seus mais próximos colaboradores e os humilha publicamente. Nada de novo, já que estes comportamentos estão enriquecendo os advogados que defendem ações de assédio moral. O que causa estranheza é ver uma pessoa intratável como ele ser o responsável por construir - e depois recuperar de uma quase derrocada - uma empresa admirada como a Apple. Não estamos falando de gerenciar meia dúzia de pessoas, nem de administrar times medíocres e inseguros, que se sujeitariam a este tipo de tratamento por sentirem-se sem alternativa. O caso aqui é bem outro: uma empresa coalhada de pessoas talentosas, jovens, criativas, construindo uma organização desejada e admirada, que mudou o mundo e os hábitos de quase toda a humanidade. É aquela história: enganar alguns por pouco tempo até que dá, mas muitos por muito tempo... Onde estaria o segredo do SJ?
Os materialistas resumiriam tudo a altos salários e outros benefícios. Não posso nem discordar, já que não disponho de dados a respeito. Porém, ainda assim, não acredito que dinheiro daria conta sozinho do recado. Permito-me imaginar outras razões e encontrar dicas para desvendar os segredos da liderança aqui vislumbrada.
Se liderança não é algo que se adquire por imposição, mas que se conquista dos liderados por mérito, SJ deve ter atrativos que superam os pontos negativos.
Em primeiro lugar, mas não a minha aposta mais forte (que deixarei para o final, para fazer suspense), aceito a hipótese de que sucesso atrai bajuladores. É uma boa hipótese, já que todos adorariam colocar em seus currículos, ou contar na roda de amigos, que compartilharam da presença do gênio.
Há também aqueles que se sujeitariam pela simples honra de ver o futuro sendo definido sob suas barbas, bigodes e chapinhas, testemunhas oculares da história. A genialidade, em estado bruto, sendo destilada, lapidada, até virar um clássico em forma de janelas e ícones clicáveis. Dizem que Leonardo da Vinci era um sujeito amável e dócil. Mas se não o fosse? Quantos se privariam da sua presença se ele fosse um casca-grossa?
A teoria costuma atribuir à confiança um dos principais pilares da liderança, já que ninguém tomaria alguém para guiá-lo sem estar no mínimo confiante de seus méritos. Mas que aspectos da construção da confiança estão presentes aqui? Se considerarmos quatro dimensões - capacidade, responsabilidade, ética e respeito pelos outros - SJ já estaria perdendo feio nos dois últimos. E é aí que entra a minha melhor hipótese: SJ é seguido porque já demonstrou competência diversas vezes, tendo mostrado o caminho do sucesso onde os outros só encontraram incertezas e caos.
Para compreender isto, temos que olhar com frieza para o mundo dos avanços da informática e da eletrônica. O que veremos é um verdadeiro tsunami de novos aparelhos, softwares, conceitos e tecnologias que, na sua maioria, acabam só fazendo sucesso nas matérias de revista. Há alguns anos atrás a bolha da Internet nos mostrou isso de forma cruel. E isso não é de hoje. Para citar apenas um exemplo clássico, o padrão de vídeo Betamax da Sony, superior ao VHS, perdeu a corrida do mercado. É um mundo hostil, mas no qual SJ parece circular com muita desenvoltura. Eu posso imaginar a aura visionária deste interessante personagem e a segurança que ele transmite ao dizer "Vamos! O caminho é para lá!". Para aqueles que vivem, trabalham e dependem do mundo dos bites e bytes, ter uma bússola como essa deve ser muito reconfortante.
Não gostaria de dar a impressão aqui que defendo a truculência, mas apenas constatar o quanto ela pode ser irrelevante diante do poder da visão e da confiança gerada por alguém que prova ser capaz de salvar a todos do inimigo, se seguirem a risca suas idéias.
Como disse acima, para nós que trabalhamos com o conceito de liderança SJ é como um espécime raro para um biólogo: a oportunidade de avançar no conhecimento e provar que existe algo além do que se conhecia como correto. O lamentável é que - talvez - este espécime não esteja conosco por mais muito tempo. Neste momento em que, mais do que nunca, precisamos de líderes visionários, capazes de nos conduzir pela incerteza, Steve Jobs fará falta. Olhar nossa carreira como uma obra de arte, um legado para a história, pode nos despertar para o fato de que seremos lembrados por aquilo que fizemos, e não pelo o que deixamos de fazer.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Google, melhores empresas e a fumaça

A revista Fortune publicou esta semana: o Google perdeu a liderança na sua pesquisa das melhores empresas para se trabalhar. A notícia chama atenção por dois motivos. Primeiro pelo oba-oba que se criou em torno da empresa como um local de trabalho descontraído e (aparentemente) perfeito. Em segundo lugar pelo desconhecimento da maioria das pessoas sobre o processo pelo qual as pesquisas deste tipo sao feitas. Uma coisa ajuda a desmistificar a outra, e vice-versa.
O Google nasceu num novo contexto empresarial, do qual fazem parte milhares de outras empresas dedicadas ao mundo a tecnologia da informacao (TI), tanto de hardware quanto de software. Desde a década de 80, quando a informática entrou de vez na vida do cidadão comum, várias empresas deste segmento despontaram como sonhos de emprego para a juventude. Foi assim com a Microsoft e com a Apple. Por que não seria com o Google: chefes jovens e uma empresa de sucesso. As fotos e reportagens que mostram o ambiente informal e falam das regras pouco rigidas de trabalho rodoram o mundo, colaborando para tornar tudo ainda mais sexy... Um charme! Eu me espantaria se fosse diferente. O Google herdou anos de aprendizado organizacional, ajudando-o a não cometer erros do passado. É uma organização jovem, que se permite testar novas fórmulas para criar um ambiente motivador onde as pessoas gostem e queiram trabalhar. No entanto, tem crescido rapidamente e, como tambekm já tive a oportunidade de ler na imprensa especializada, está tendo que rever alguns de seus princcipios liberais para tornar a empresa ais eficiente. Aconteceu a mesma coisa na Microsoft e na Apple. Numa matéria publicada na revista Exame em 2008, ficamos sabendo que a Microsoft substituiu sua VP de RH por uma profssional de Marketing, numa tentativa de reverter a fuga de talentos. A empresa não estava conseguindo criar oportunidades e estimulo adequado às expectativas da geração Y.
Acho não só que o Google não deixou de ser um bom lugar para se trabalhar como também acho que talvez nunca tenha sido o primeiro, porque estas pesquisas são válidas apenas quando compreendidas em seu contexto.
O problema com as pesquisa do tipo "melhor lugar" é que sâo comparações entre empresas inscritas e näo com todo o mercado. É bem provável que existam mais boas empresas para se trabalhar, mas que näo participam de pesquisas. Além disso, os critérios säo estatísticos; nada garante que, em trabalhando num lugar destes, um profissional tenha o azar de cair com um chefe do primeiro percentil... e vai ficar bravo com isso.
A febre das "melhores empresas" é diretamente proporcional à incompetência dos gestores em criar ambientes estimulantes, e o problema só tende a crescer. As novas gerações säo cada vez mais exigentes e desconectadas dos princípios como lealdade na carrreira e respeito cego à autoridade e hierarquia. Eles e elas querem mais, e näo é só prestígio: buscam realizaçäo, desafios e espaço para criar e expandir seu potencial. Esse é apenas um dos aspectos que as pesquisas das "melhores" investigam muito pouco, já que preferem se ater a políticas de RH.
Reconheço o esforço das empresas que participam destas pesquisas, buscando um benchmark saudável, tentando tornar sua marca mais desejada e amplificando sua força de atraçäo de talentos. Mas sem exageros no marketing, por favor.
 
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